Artes plásticas no Rio, lixo extraordinário

No último sábado, dia 5, decidi dar um tempo nos já manjados sambinhas do Centro da cidade e resolvi dar um confere na festa de rua da galeria Gentil Carioca, colado à Praça Tiradentes, para o lançamento de sua nova coleção de artistas. Fiquei aguardando sair alguma coisa na coluna Gente Boa, do Globo, entusiasta da carioquice matreira. Passada quase uma semana, nada (isso é que dá o Joaquim Ferreira dos Santos ficar de férias!) Pra não deixar passar em branco, resolvi reativar este espaço, no mesmo espírito da renomada publicação.

* No melhor estilo humor carioca, um sujeito com uma argola pendurada na barba passava um aspirador no asfalto e lamentava: “trabalhava na casa do Maradona. Fui limpar um pó e acabei despedido”.

* Na entrada da Gentil Carioca, um vídeo mostrava exaustivamente um travesti ordenando os visitantes: “Entre! ENTRE!!!! ENTREEEE!!!”. “Só assim mesmo”, falou baixinho um artista que teve suas obras preteridas.

* O ápice da noite foi quando um caminhão de lixo passou na hora em que tocava o funk “Agora sou solteira ninguém vai me segurar” e o gari, pendurado na parte de trás, dançava sensualmente. A galera urrou com aquela cena surpreendente e tipicamente carioca.

"Vieram recolher as peças?", perguntou aos garis um artista que não foi selecionado para a exposição

* Ali próximo, no Centro de Arte Hélio Oiticica, um sujeito batucava uma bateria ligada por fios a um laptop diante de olhares estupefatos. Mas dentre as obras, a melhor instalação era a do ar-condicionado no talo, que aplacava o calor super carioca.

* Um pouco adiante, no Largo das Artes, a galera retardatária se contentava com guaraná zero, já que a cerveja não deu nem para o começo. Garçons regulavam o biscoito Globo – havia caixas do símbolo do carioquismo praiano. Ali em frente, no Largo de São Francisco, rolava distribuição de comida para os moradores de rua. Um artista sugeriu chamá-los para protagonizar uma performance, mas logo desistiu quando ouviu do colega: “Quer dar uma de Vik Muniz, é? Chega!”.

"Obra de arte" na encruzilhada. A caninha tomba, vazia. Até o final da festa o frango congelado ainda estava lá

Não basta marcar presença, é preciso fazer cara de conteúdo

Isso não é um cachimbo, é uma obra de arte

Obra instigante localizada estrategicamente do lado dos banheiros

Quero essa camisa! (by @maryfe)

"Mantenha a cidade limpa. Mate os funkeiros" Grande obra expressionista no banheiro do pé-sujo em frente à galeria

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