Chuva na TV Globo: de Dercy Gonçalves à Fátima Bernardes

Dercy, no tempo em que levantou a bola da Globo

Nesta semana em que o Rio ficou debaixo d’água a mídia comparou a calamidade atual com outras do passado. Esta teria sido a pior enchente em 40 anos. A referência era o temporal do verão de 1966, que teria sido o pior até então. Naquela época, a TV Globo era uma novata entre as TV´s Tupi, Rio e Excelsior. E foi graças àquela calamidade que começou angariar audiência.

“Era sensacionalismo, mas a audiência batia lá em cima. A emissora estava se lançando, precisava daquilo para decolar”

Para ganhar o público a Globo apostou firme nas atrações popularescas, como Chacrinha, Dercy Gonçalves e Jacinto Figueira Júnior, o Homem do Sapato Branco. Dercy chegou à emissora de Roberto Marinho pelas mãos da dupla Boni & Walter Clark, que conheceu na TV Rio. “Dercy de Verdade” ia ao ar nas noites de domingo com esquetes, paródias de novelas, música e jornalismo. Um dos quadros de maior sucesso era o “Consultório sentimental”, que atendia pedidos de cadeiras de roda, óculos e bengalas. Assistencialismo que atraía muita gente para a porta da emissora.

“Naquela época a Globo era povo, precisava da prostituta que eu era da minha arte para eles aprenderem”

Com a enchente de 66, Dercy comandou uma bem sucedida campanha de doação de mantimentos. Ela ficava da sacada da emissora, no Jardim Botânico, dando informações sobre o bairro, um dos mais atingidos pelo temporal. A audiência aumentava na medida em que o nível da água baixava. O sucesso foi tão grande que ela ganhou outro programa, às quintas-feiras, “Dercy Espetacular”.

“Ofereci o que queriam: tragédia e humor, gente bonita e gente feia, o bom e o ruim, esplendor e miséria. Dercy de verdade era a cara do Brasil”

No começo da década de 70, já com audiência, a emissora promoveu o padrão Globo de qualidade e demitiu Dercy, Chacrinha e Raul Longras, entre outros apresentadores campeões entre o populacho. Os diretores alegavam que em Brasília havia uma pilha de processos contra a apresentadora. Era bravata e Dercy processou a Globo.

Ontem, quinta-feira, dia 8 de abril, semana em que o Rio sofreu com uma nova tragédia natural, lá estava Fátima Bernardes, saída de trás da bancada do Jornal Nacional, ao redor do morro da Bumba, em Niterói. “Perdeu totalmente o timing do jornalismo de rua, constrangimento puro”, como  vaticinou o jovem @mitzudiz. Mas tudo bem, Fátima. A Globo não depende de você como um dia dependeu da Dercy.

Nas horas vagas Vela pesquisa o grotesco da cultura brasileira

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