Vela na naite bombada: Loud, Bailinho, Bukowski, best of…

Quando fui ao show do Faith No More, no começo de novembro, revi uma galera que me remeteu diretamente pra Loud, melhor festa da década: ex-namoradas, ex-pegas, antigos amigos, criaturas bizarras… E qual foi a minha felicidade ao saber que depois de um longo inverno a Loud voltaria em comemoração aos 10 anos. E na sua casa, o Cine Íris. O alto custo do aluguel do cinema levou a festa para outros lugares, como a Gafieira Estudantina e o Teatro Odisséia, mas ela nunca mais foi a mesma. Hibernou até o último dia 23.

como é que eu não tenho uma foto com essa camisa?

como é que eu não tenho uma foto com essa camisa?

Na porta dava para notar o quanto os antigos frequentadores envelheceram. Alguns engordaram e perderam cabelo, outras precisaram carregar na maquilagem. “Midlife crisis” chegando. O revezamento de DJ´s é interessante porque mesmo chegando cedo é possível curtir um som bacana. Mas as boas-vindas ficaram mesmo por conta de Wander Wildner. A galera ficou no palco mesmo, à banda. O punk brega interagia chamando moçoilas para os backing vocals. Fui paramentado especialmente para o hit que encerrou o show, “Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo”. Eu e o Pereio fomos até alvo de fotografias. E teve gente que achou que fosse o Marcelo Camelo. Desde quando MC fala porra?

Na pista do meio o DJ Túlio mandou a aguardada mensagem de Natal: “Papai Noel velho batuta”. Me esgoelei com um maluco que nunca tinha visto. Foi lindo! A pista fervia em todos os sentidos. Em vez ventiladores instalaram perto das janelas telas de LCD fazendo propaganda da própria festa. Pra quê? Restava fugir do calor no terraço, espaço que continua nobilíssimo. Outro senão é o combo de três latas de cerveja, onde o sujeito é obrigado a levar as três de uma vez.

No cinema ainda rolou show do hypado Copacabana Club. Não vi, fica para a próxima. Depois, o espaço esvaziou. Explica-se. DJ Edinho comandava o som. Com uma camisa do Botafogo… Uma ratazana que habita o Cine Íris me contou que vai rolar Loud a cada dois meses. A conferir.

Bailinho

A festa favorita das celebridades começou uma temporada de verão aos domingos no armazém do cais do porto. É impecável em termos de estrutura, produção, som eclético e visual. Mas não é um lugar do caralho porque não tem muita gente legal, nem cerveja barata (R$ 5 a latinha). O ingresso custa R$ 100, mas aceita carteirinhas de estudante verdadeiras e falsas. Fui de graça por acaso. O irmão do amigo de um amigo, produtor da festa, tinha ingressos de sobra naquela noite. Porque pagando R$ 50 eu dificilmente iria.

Rodrigo Pena acertou em largar a carreira de ator sem muito futuro e virar produtor e DJ. Na cabine que mais parece um mini-palco ele está seguro de chatos pedindo música. Mesmo assim é difícil não atender aos gostos mais variados. Vai desde “Rock and roll all night” passando por Martinho da Vila, um hit sertanejo depois de uma bela sequência de funks, LCD Soundsystem, Peter Bjorn e até Mamonas Assassinas, que eu não tocava nem na minha fase mais trash de DJ. Uma foto do Chacrinha decorando a cabine simboliza bem o ecletismo do repertório.

Dado Dolabela no Bailinho. Ele procriou este ano. Porém, para alívio de muitos se afastou da noite

Dado Dolabela no Bailinho. Ele procriou este ano, mas pelo menos se afastou da noite

Iluminação e decoração deixam o imenso galpão bastante acolhedor. Do lado de fora o visual da Baia da Guanabara, ponte e Niterói. O mulherio é de primeira. Mas são daquelas moças que dificilmente darão mole para você leitor, assim como eu, um velho indie com cara de nerd e intelectual. Estão mais à feição dos soft-playboys, uma galera mais tranquila do que os habituais plays. Mas não custa nada tentar. Vai que uma menina do Leblon veja um coração batendo por trás de uma lente de óculos.

Outro mérito da festa foi não ter se abalado com os barracos originados pela senhorita Luana Piovani, que de figura tão fácil na festa já não causa a menor sensação.

Bukowski

O bar de roquenrol de Botafogo é um lugar que evito, mas como última e apelativa opção acaba servindo. A pista é pequena e apertada, o DJ só toca os clichês e a galera que frequenta é estranha. Mistura playboys com losers, losers-playboys, roqueiros… Não entendo o que playboys fazem ali. Aparentemente não sacam nada de roquenrol. Só ajudam a deixar o ambiente com mais homem do que mulher.

Melhores de 2009

Momento sensorial: Maurício Valadares tocando “Body count is in the house” no Ronca Ronca da varanda do MAM, na semana em que o helicóptero da PM foi derrubado. Só faltou rasante do helicóptero.

Melhor combinação festa /lugar – Yellow Submarine no Cine Glória. Depois que o simpático cinema foi interditado pra festas, a Yellow foi para a Pista 3 e quase morreu. Começa o ano no Studio Line, em Botafogo. Boa sorte.

Melhor DJ: Túlio. Pra ficar melhor só precisa tocar em lugares melhores do que a Casa da Matriz às quintas, infestada de macho.

Momento inusit.ado – eu me divertindo na Nuth da Lagoa (fica prum post futuro).

Momento próprio bizarro – eu tendo uma distensão no joelho depois de pular que nem maluco quando tocou “Hava Nagila Hava” na Go East da Casa Rosa.

Melhor boate que toca rock – com uma puta estrutura e som, no Rio não existe. Também se tiver, vai falir porque neguinho do roquenrol é tudo duro.

Melhor show – Faith No More.

Pior peça de teatro – Simplesmente eu. Clarice Lispector

Melhor livro – biografia do Simonal

Um 2010 com muita festa, roquenrol e samba esquema noise!

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