Vela na naite bombada – Inferno no Cine Lapa

Festinha para gringos no Cine Lapa na última quinta-feira. Erasmus o nome. Nunca tinha ouvido falar. “Tem mais de 1000 pessoas na lista amiga”, meu amigo tentou me empolgar. Tentei convencê-lo a ir para outro lugar, mas ele já tinha combinado de encontrar com uma moça lá dentro.

Fila cheia de homens. Preocupado, tentei fazer uma retirada, mas os contatos não atendiam. Não restou outra opção. Lá dentro a suspeita se confirmou. Muito homem – e não era festa gay. A irmã de um dos DJ´s me contou que na anterior também tinha enchido de macho, e que aquela era uma preocupação dos caras. O lugar foi enchendo ainda mais. Calor, cerveja quente, pista lotada… Teve até um playboy que quis arrumar encrenca com meu amigo. Acabou o amor, aquilo ali tinha virado o inferno. Mas o pior ainda estava por vir.

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A fila VIP, fichinha comparada à dos mortais

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O nome dela é lerdeza

Fila, ou melhor, um aglomerado de gente para pagar. Os dois seguranças não conseguiam ordenar uma fila decente. E as duas mulheres do caixa desconheciam a palavra agilidade. Do outro lado da divisória, uma turma se espremia na frente de um buraco pra pagar por fora – uma tentativa de fila VIP no meio da zona. Ânimos começaram a se exaltar e eu estava esperando pelo estouro da boiada, o que não aconteceu até a hora da minha partida.

Uma coisa é certa: se você quer ir numa festa cheia de homens, vá à Erasmus. Se você quer se irritar com desorganização e tomar cerveja quente, vá ao Cine Lapa. Em relação à festa, uma pena. O DJ mixa direitinho um bom feijão com arroz – Hot Chip, Justice, Gorillaz, Franz – e o cara de cima mandava um som brasileiro que não comprometia.

Songoro Cosongo na Mansão dos Arquitetos

O casarão de Santa Teresa foi palco da melhor festa que eu fui em 2007. Duas pistas, sendo uma em uma piscina vazia, roquenrol, psicodelia… Não faltavam ótimas referências. Naquela noite a atração principal era o show do Songoro Cosongo, uma banda latina formada por cucarachas sul-americanos. Legalzinho, mas o bloco de carnaval é muito melhor. Mas naquele dia, cheio, calor pra burro, o show não estava acontecendo, mesmo na área ao ar livre. Tive que apelar e tirar a camisa, exibindo meus músculos torneados.

A organização era nas coxas. Chegaram a cobrar preços diferentes na entrada – uma das malucas da bilheteria devia estar no esquema legalize. O pessoal cucaracha demonstra uma empáfia digna de argentinos. No bar, enquanto o negão brasileiro atendia com a maior simpatia, o narigudo argentino não estava nem aí.

A pista de dentro também não rolou. Fela Kuti rolava solto no som do lado de fora dando o clima de calor africano. A piscina estava cheia de água. Me arrependi de não ter me jogado nela. Acho que não provocaria uma reação em massa, já que o público presente não tinha cara de gostar de banho.

Samba da Ladeira e da bala perdida

Lembram de um cara que morreu atingido por uma bala perdida num samba da Lapa? Dizem que a bala não foi tão perdida assim e foi disparada por um militar morador do prédio acima, puto com a zona. Então, o tal samba voltou, agora aos sábados. O repertório é mais popular, diferente da vez anterior, mais lado B. Ainda não tá lotado, mas é bom ir prevenido com capacete e colete à prova de balas.

Zura no Manoel & Joaquim

Seis horas bebendo e comendo, conta de R$ 400… Em um bar decente a saideira viria sem pedir. Não foi o caso do Manoel & Joaquim da Farme de Amoedo, que a muito custo ofereceu três garotinhos para cinco pessoas. Não havia gerente na casa. Fiquei na dúvida se os donos do M&J são portugueses ou judeus.

Foi em algum bar e não rolou a saideira? Deixe seu comentário.

Vela é a Bárbara Heliodora da noite carioca

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11 ideias sobre “Vela na naite bombada – Inferno no Cine Lapa

  1. Bernardo

    “Fiquei na dúvida se os donos do M&J são portugueses ou judeus.”

    É o estilo Gentili de se fazer humor DOMINANDO o interbarney. Judeu? Que porra é essa, maluco? Isso foi uma tentativa de ser engraçado?

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  2. Leonardo

    Eu ia muito nesse pagode da ladeira em frente ao sinuca. Eu tinha ido na semana anterior ao dia que o cara morreu. Engraçado é que ficou por isso mesmo, ninguém nem investigou quem morava no prédio que fica embaixo…

    Resposta
    1. vela

      poizé xará, disseram q foi um militar desse prédio, mas a coisa ficou por isso. seu eu morasse nesse prédio tb ficaria mto puto. mas não atiraria não. jogaria uma lata de gás lacrimogênio.

      Resposta

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