Momento loser – o dia em que tomei uma vaia no Canecão

Já tocava havia um tempo com o Perdidos na Selva, talvez a mais ativa banda cover dos anos 80 do Rio. Meu saco pras musiquinhas dessa década já estava murchando, quando a banda marcou um show no Canecão, palco mais tradicional da cidade. Boa! Ia pisar no mesmo palco onde os Ramones bombaram, Echo and The Bunnymen fez o melhor show da história do grupo e Elymar Santos despontou para o estrelato.

Para uma ocasião tão especial, pensei numa sequência matadora. Era setembro de 2005 e o mensalão comia solto. Tive a brilhante ideia: tocar “Lula-lá” seguido de “Inútil” e “Lugar Nenhum”. Seria um protesto e tanto, pensei.

Dusek achou que eu era o seu teclado

Dusek achou que eu era o seu teclado

A banda costumava convidar uma galera famosa em cada apresentação. Naquela ocasião, um deles era o Eduardo Dusek, que ao me ver no camarim não se conteve: “Nossa, você é tããão parecido com o Renato Russo!”. Sorri amarelo e ele felizmente percebeu que ia ser barrado no baile.

Fui para o palco e logo constatei que seria novamente vítima de uma prática comum das casas de show: limitar o som do DJ. O volume não era o suficiente para agitar a galera, nem com aquela indefectível música do Information Society, “Vai tomar no cu”. Meus pedidos eram ignorados pelo maldito sujeito da mesa de som. Já estava puto quando botei em execução a sequência que me consagraria.

“Lula lá, cresce a esperança / Lula lá, o Brasil criança…”

A massa, que até então ignorava minha performance, despertou. As vaias começaram pequenas e logo ecoavam por todo ambiente. Era para ser só um trecho da música. Mas, para piorar a situação, não conseguia achar o cd do Ultraje. Peguei o dos Titãs e taquei “Lugar Nenhum”. Mas a casa já havia caído. Me sentia como se estivesse broxado diante da multidão. Ao menos naquela época câmera digital era artigo de luxo. Não precisei tomar atitudes como Rafael Cortez ou Daniela Cicarelli para manter a minha honra.

Como não há nada ruim que não possa piorar… Depois do show, voltei ao palco para o encerramento. Mas a plateia ensandecida queria a banda de volta. O som continuava baixo e, para deleite da massa, a banda voltou e me cortou no meio da segunda música.

Depois dessa retumbante experiência toquei pela derradeira vez com a banda meses depois, no Mourisco de Botafogo. Era um festival com a participação do meu ídolo e pedófilo DJ Marlboro. Era uma noite de sexta-feira, marcada pelo último capítulo da novela das oito e por um dilúvio. Não preciso nem dizer que foi um fiasco.

DJ Wella atualmente anima festas de swing

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6 ideias sobre “Momento loser – o dia em que tomei uma vaia no Canecão

  1. Cafeina

    seria bacana remixar Inutil e o Lula lá no refrão só… rs mas admiro sua coragem, eu não faria isso no meio da multidão que vive de BolsasFamilias e talz… teria medo… então ajudo… Uhhhhhhhhuhhhhhhhhhhuhhhhh

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  2. Bruno

    Para aquelas pessoas vc não era ninguem, agora para eles vc é:

    – lembra daquela noite no canecão que o dj tocou a musica do lula
    – lembro, aquele fdp tomou uma puta vaia
    – pode cre, se fudeu
    – mas o cara tem uma puta coragem
    – pode crer

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  3. vela

    é vero, bruno. pior é q a minha namorada tava vendo aquilo e a minha futura namorada tb! e ela falou q se amarrou qdo começou a tocar lula-lá pq ainda gostava do lula, achou a vaia a maior sacanagem!

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